A história fantástica do Intercâmbio de um Publicitário / Partiu Vamo Viajar?

«decidi que era hora de ir em busca de uma experiência no exterior»

Felipe Saraiva Martins, 30, Publicitário e Porto Alegrense. O entrevistado curte Rock´n Rol clássico e tem muitas práticas de atividades nos tempos livres, ler filosofia, assistir documentário, andar de bicicleta e saborear uma cerveja. Mas o ponto crucial é que, o jovem tem alma de viajante. E é nesta entrevista, que você saberá, que tudo é possível para aqueles que possuem determinação, garra e uma vida sem muitos apegos.

Muitas pessoas chegam numa certa altura da vida e anseiam por mais, e Felipe não foi diferente. Depois de concluir os estudos no ensino superior, o jovem conta «eu estava começando a ficar incomodado com minha situação de estagnação na zona de conforto, sem muitas perspectivas de evoluir no meu trabalho e sem nunca ter viajado para fora do Brasil, decidi que era hora de ir em busca de uma experiência no exterior»

Com apoio de pesquisas na Internet e conversas com os amigos, o destino de ponto de partida foi decidido. E em 2013, aos 28 anos, o publicitário embarcou sozinho para a Irlanda.

PARTIU VAMO PARA A IRLANDA?

Pesquisas informam que existem facilidades para estudar e viver na Ilha Esmeralda. Por isto, ouvimos muito, que brasileiros escolhem este país, como a primeira direção. A possibilidade de viver na Europa e ainda estudar e trabalhar, são motivos significativos e decisórios para muitas pessoas embarcarem para este país.

As vezes, por conhecer pouco o território social, político e geográfico de onde pensamos passar uma temporada, ou vida, TEMEMOS. O medo pode ser um bom sinal, porque passamos a analisar o nosso redor com mais cautela, mas ele pode ser um bloqueio e isto pode ser perturbador. Há pessoas, que desistem do sonho de morar fora, por conta da “estabilidade” de um EMPREGO , porque tem um sobrinho querido ou apenas um familiar que prepara o melhor pão de queijo do mundo. Claro que existem fatores que, só nós sabemos explicar os valores das coisas e pessoas seletas na nossa vida, mas será que estamos mesmo felizes com estas escolhas e decisões? Será que eu devo PARTIR? Até quando o “SERÁ” estará presente na minha vida?

Cliffs of Moher - Irlanda

Dúvidas sempre surgem quando mudamos os nossos hábitos e rotinas, e o  Porto Alegrense escreveu com talento como foi encontrar o PRIMEIRO EMPREGO no estrangeiro « Foram 5 longos meses de uma busca incessante por trabalho. Sinceramente, esta é a parte mais chata do intercâmbio, pois nenhum trabalho, nem mesmo limpar banheiro, é tão árduo e estressante quanto a procura por um emprego. Pois se você chega em um país estrangeiro, como eu cheguei, sem nenhum networking e sem a fluência no idioma local (isso que cheguei com o Inglês acima da média dos brasileiros que para lá vão, mas mesmo assim longe de ser fluente), sua busca por trabalho será bastante complicada. Não conheço outra forma além da persistência: 95% transpiração e 5% sorte. Procurava vagas online e enviava cerca de 15 emails por dia, todos personalizados, evoluí drasticamente no Inglês escrevendo cover letters. Somente currículos tinha uns 10 diferentes cada um com experiências ‘customizadas’ para cada tipo de vaga: garçom, kitchen porter, faxineiro, vendedor e por aí vai. Além dos emails, também imprimia CVs e saía ‘a campo’ distribuindo nos estabelecimentos que possuíam anuncios de “Staff Wanted” na porta de entrada (prática comum na Irlanda). Mas o mais curioso em relação à minha busca por emprego foi que desde o início tinha na cabeça que deveria ir atrás dos ditos subempregos, por serem os tipos de trabalho tradicionalmente dados a nós, imigrantes brasileiros, porém não obtive êxito. Até consegui alguns trabalhos casuais como kitchen porter e garçom em alguns eventos, mas muito esporádico que não me proporcionava a renda fixa que eu necessitava. Foi aí que decidi ir atrás de algo mais relacionado à minha área de formação que é Publicidade e em menos de uma semana consegui o emprego de designer gráfico na Seda College, que veio a ser minha principal fonte de renda pelo próximo 1 ano e meio.»

Ao ler este depoimento com um final feliz, é importante salientar que Felipe carregava uma bagagem de especializações na área graduada, mas mesmo assim, não escolhia a porta que iria bater a procura do emprego. Ele apenas desejava trabalhar e manter a vida no intercâmbio.

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Normalmente um estudante/trabalhador na Irlanda, sempre pensa em fazer  viagens que apenas conhecia através dos filmes e revistas. A ideia de concretizar este pensamento,  fortifica quando se encontra um emprego. O designer da Seda College, teve residência irlandesa durante dois anos e um mês. E foi nesta estadia, que ele visitou 25 países que o deixou realizado. «Durante os 20 meses vivendo em Dublin, por ter uma certa flexibilidade no trabalho, solicitava uns 2 ou 3 dias de folga e emendava com o final de semana para fazer um ‘getaway’, então neste período conheci cerca de 10 países.

Durante o mochilão de 5 meses visitei 14 países. Totalizando 24 ao final de todo o intercâmbio (faltou 1 para ficar 1 por mês, mas se contabilizar o Vaticano, fecha os 25)»

« Basicamente fiz Europa Central e Sul, mas como não tinha verba para visitar todos os países europeus, acabei deixando para trás os que tinha menos interesse como os países escandinavos e aquele bloco de países anexos à Russia (da Ucrânia a Estônia). Meu critério base era o clima: gosto do calor, por isso fiz o mochilão no verão (de Maio a Outubro) e apesar de querer ver bastante História, queria mesclar com paisagens naturais como praias e montanhas para poder praticar esportes, surfar, mergulhar, fazer trilhas

Sahara - Marrocos Capadócia - Turquia

Incluí também no roteiro 2 países fora da Europa, porém com bastente influência européia, por suas proximidades geográficas com o velho continente: Marrocos (África) e Turquia (Ásia). Uma das regiões que mais me identifiquei foram os Balcans, mas por falta de tempo (e por ter ficado 1 mês fazendo trabalho voluntário pelo Worldpackers na Croácia) acabei não tendo a oportunidade de conhecer Sérvia, Romênia, Bulgária, Macedônia e Albânia. Mas um dia ainda volto lá.»

 Felipe Martins considera ser um rapaz, sem muitas manias e apegos « Procuro ser feliz de forma simples, mas não simplória e viver conforme a situação momentânea me proporciona, sempre fui um ser adaptável. E com certeza o intercâmbio potencializou esta característica em mim, proporcionando experiências que me obrigaram a utilizar toda essa minha flexibilidade. E isso é fundamental para um viajante, em especial um mochileiro.

Mas o que de fato impulsiona para conhecer diversos países quando você ‘vive fora’ é a acessibilidade.»

Lagos - PortugalQuestiono se houve alguma situação complicada durante o mochilão e ele escreve « Felizmente, não passei por nenhuma situação extrema durante meu mochilão, mas claro que, por estar viajando com um orçamento bastante baixo, enfreitei alguns desafios. Para economizar, durante minha trip utilizei bastante o Couchsurfing e quando não encontrava anfitrião em algum destino, reservava um hostel barato. Porém quando faltava apenas 1 dia para eu chegar em Madrid (a última parada do meu mochilão), eu já estava quase sem dinheiro e ninguém havia aceitado minhas solicitações no CS, fui pesquisar os preços dos hostels lá e estavam muito caros, além do que eu poderia pagar. Eu já estava cogitando a possibilidade de dormir em alguma praça ou local público quando tive a ideia de fazer um apelo na minha timeline no Facebook perguntando se alguém conhecia alguma pessoa que poderia me acolher por 2 noites em Madrid e, então, alguns amigos indicaram seus amigos e no final consegui até mais de um local para ficar.»

Não há vitórias sem lutas, esta é uma grande realidade. E a Rede Social, neste caso, foi uma ferramenta crucial para garantir a acomodação deste aventureiro. Nesta temporada, o mochileiro também teve momento de distração a ser contada « Em Viena fiquei hospedado na casa de estudantes que praticam o dumpster diving (que em tradução livre para o português significa mergulho no lixo): eles simplesmente adquirem toda a comida que utilizam na alimentação deles dos lixos dos mercados e demais estabelecimentos alimentícios. Passei uma semana lá e não gastei 1 euro com alimentação e comendo produtos de qualidade recém vencidos. »

Ao ler esta história, não há formas de  deixar passar em branco a questão da necessidade de ter muito dinheiro para realizar esta missão « O mais legal de viajar é que não existem 2 viagens idênticas, você pode fazer as coisas de infinitas formas: desde uma viagem luxuosa gastando rios de dinheiro até uma super econômica, gastando quase nada. Tudo depende do quanto você está disposto a passar trabalho nesta empreitada. A Europa, de um modo geral, é muito segura e nos permite corrermos certos riscos que não ousaríamos no Brasil, por exemplo.Couchsurfing - Malta

Transporte: Uma vez em solo europeu, você não precisa gastar nada para se deslocar de uma cidade para outra, basta ter tempo e disposição para cair na estrada, ficar de pé no acostamento e levantar seu dedo polegar, a carona é uma prática muito comum por lá. Para os atletas, outra forma de transporte gratuíto é a bicicleta, conheci vários ciclistas-mochileiros pela estrada a fora. Dentre os transportes pagos, os apps de compartilhamento de carro (como o Blablacar) é a opção mais barata, seguido de ônibus e depois trem. Para deslocamentos mais longos, vale a pena ficar ligado nas promoções das companhias aéreas low-cost, um salve para a maravilhosa Ryanair.»

Couchsurfing - GranadaHospedagem: Para os aventureiros, uma barraca e um saco de dormir resolvem a vida sem gastar nada. Mas outra opção 100% gratuíta e mais confortável é o Couchsurfing: quem ainda não conhece, entre agora, trata-se de um site, um tipo de rede social para troca de hospitalidade. Funciona da seguinte forma: você cria um perfil e pode tanto hospedar turistas na sua casa, solicitar uma casa para pernoitar na cidade na qual você está viajando ou ambos. Além de economizar muito, ainda torna a sua experiência no local muito mais enriquecedora. Na minha opinião, uma das mais geniais invenções contemporâneas. Caso não consiga um anfitrião, a opção mais econômica dentre as pagas é o hostel, em 90% das cidades européias você consegue encontrar algum até €15 por noite.

Outros gastos como alimentação, festas e entradas para atrações turísticas, realmente não tem como evitar e cabe ao viajante administrar seus gastos conforme seu orçamento e suas prioridades.»

O jovem que ouve Rock Rol, voltou para a casa e hoje está ao lado das pessoas que são verdadeiramente importantes na vida dele. Todas as viagens realizadas no Velho continente e algures, serão levadas na memória como um bom tempo realmente vivido. Peço para ele deixar uma mensagem aos brasileiros que sonham com a mesma oportunidade que ele teve « Vão! Vivam o(s) melhor(es) ano(s) das suas vidas, crescam e voltem cidadãos melhores para melhorar nosso país.»

Zadar - Croácia

Quem nunca foi só de mochila/ E voltou de avião

Que fez barraca de uma lona/ Ou dependia de carona

Mas foi a pé porque ficou na mão

Quem viajou sem ter um teto/ E acabou se dando bem

As 5 estrelas de um hotel/ Pelas milhares lá do céu

Quem não tem mapa as vezes vai além.

Mind the gap/ Try to achieve

Watch your step/ ENJOY YOUR TRIP!

(Thiago Correia)

E você, tem a mesma coragem que o Felipe?

PARTIU VAMO VIAJAR?

Se você também conhece alguém com uma história inspiradora, contate-nos:partiuvamoviajar@gmail.com ou envie uma mensagem privada para a Página Oficial do Facebook PARTIU VAMO VIAJAR

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